"Anjo de Hamburgo": Globo perde direito à marca em disputa judicial com herdeiros de Aracy Guimarães Rosa

Adriana Brunner • 25 de outubro de 2024

A Rede Globo perdeu o direito de utilizar a marca "Anjo de Hamburgo", que nomearia uma minissérie sobre a diplomata Aracy Guimarães Rosa, após decisão judicial favorável ao espólio de seu filho, Eduardo Carvalho Tess. Aracy, conhecida por ajudar judeus a escapar do regime nazista enquanto trabalhava no consulado brasileiro em Hamburgo durante a Segunda Guerra Mundial, ficou mundialmente reconhecida pelo epíteto "Anjo de Hamburgo".



A decisão foi proferida pela juíza Federal Ana Amélia Silveira Moreira Antoun Netto, da 9ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro, com base no artigo 124, XVI, da Lei de Propriedade Industrial (Lei 9.279/96), que impede o registro de pseudônimos e apelidos notoriamente conhecidos sem a devida autorização dos herdeiros. A Globo havia obtido o registro da marca junto ao INPI em 2020, mas o espólio contestou a decisão, alegando violação dos direitos de personalidade, resultando na nulidade do registro.


O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) aderiu à ação, reconhecendo o caráter notoriamente conhecido do apelido "Anjo de Hamburgo". O Tribunal Regional Federal da 2ª Região já havia emitido uma liminar em 2022 proibindo a emissora de usar o nome, e agora a sentença confirmou essa proibição.


A Globo argumentou que o uso do nome na minissérie era de caráter informativo e cultural, exaltando a trajetória de Aracy, mas a juíza reforçou que a utilização do epíteto, que carrega a memória e a história da diplomata, só poderia ocorrer com a autorização expressa dos herdeiros, o que não aconteceu. A decisão ainda ordena que o INPI publique a nulidade do registro na Revista da Propriedade Industrial.


Processo: 5063883-60.2020.4.02.5101


Fonte: Migalhas

Brasil e Coreia do Sul ampliam cooperação em propriedade intelectual
Por Adriana Brunner 28 de agosto de 2026
Brasil e Coreia do Sul aproximam laços em propriedade intelectual. Entenda por que marcas e patentes ganham papel estratégico nesse cenário.
Patentes revelam que a indústria automotiva ainda não escolheu uma única rota para o futuro
Por Adriana Brunner 27 de agosto de 2026
Levantamento de patentes revela disputa entre montadoras por diferentes tecnologias de propulsão. Entenda o que isso significa para o setor.
DA AUSÊNCIA DE PATENTES À LIDERANÇA TECNOLÓGICA: O QUE A CHINA ENSINA SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL
Por Adriana Brunner 26 de agosto de 2026
Como a China se tornou líder mundial em patentes em 40 anos e o que isso ensina sobre inovação e propriedade intelectual.
Por que farmacêuticas do Paraguai podem produzir “cópias” do Mounjaro legalmente
Por Adriana Brunner 25 de agosto de 2026
Entenda por que farmacêuticas do Paraguai podem produzir versões do Mounjaro legalmente, mas não vendê-las no Brasil. Saiba mais.
EXPRESSÃO POPULAR EM EVENTO NÃO VIOLA PROPRIEDADE INDUSTRIAL
Por Adriana Brunner 24 de agosto de 2026
TJ-SP autoriza uso de "Tardizinha Gospel" apesar de registro da marca "Tardezinha". Entenda a decisão e seus impactos jurídicos.
Direitos autorais: crédito ao autor não é opcional
Por Adriana Brunner 19 de agosto de 2026
MC Ryan SP e GR6 são condenados por não creditar compositor em 34 músicas. Entenda a decisão e seus impactos para o mercado musical.
Mais uma Indicação Geográfica fortalece o agro brasileiro!
Por Adriana Brunner 12 de agosto de 2026
Circuito das Águas Paulista conquista Indicação Geográfica para cachaça de alambique, concedida pelo INPI. Saiba mais sobre essa conquista.
Usar a marca do concorrente no Google Ads pode configurar concorrência desleal.
Por Adriana Brunner 11 de agosto de 2026
TJDFT condena empresa por usar marca concorrente como palavra-chave no Google Ads. Entenda os riscos jurídicos e o que diz a decisão.
Guarapuava conquista a primeira Indicação Geográfica do Brasil para cervejas artesanais
Por Adriana Brunner 10 de agosto de 2026
Guarapuava (PR) recebe a 1ª Indicação Geográfica do Brasil para cervejas artesanais, concedida pelo INPI. Entenda os benefícios para produtores e região.
Marcas famosas podem ser perdidas O caso Ploc e Ping Pong reacende o debate sobre a caducidade
Por Adriana Brunner 7 de agosto de 2026
Ploc e Ping Pong enfrentam processo de caducidade no INPI. Entenda por que o registro de marca sem uso pode levar à perda da exclusividade.
Mais Posts