Couro de peixe e Indicação Geográfica: quando tradição, sustentabilidade e inovação geram valor

Adriana Brunner • 18 de maio de 2026

A concessão de Indicação Geográfica ao couro de peixe produzido em Pontal do Paraná mostra como a propriedade intelectual pode atuar como ferramenta concreta de desenvolvimento regional, valorização cultural e inovação sustentável.


Mais do que um simples reconhecimento territorial, o selo consolida a reputação construída ao longo de anos por produtores locais que transformaram resíduos da pesca artesanal em um produto de alto valor agregado, capaz de alcançar inclusive mercados internacionais.


O caso chama atenção porque reúne elementos cada vez mais relevantes no cenário econômico contemporâneo: economia circular, aproveitamento sustentável de recursos, conhecimento tradicional, pesquisa científica e diferenciação de mercado.


A IG, nesse contexto, funciona como mecanismo de autenticação econômica e reputacional. Ela não protege apenas um produto, mas todo um ecossistema produtivo vinculado ao território, ao saber-fazer local e às características específicas que diferenciam aquele bem dos demais disponíveis no mercado.


Outro aspecto relevante é a forte integração entre conhecimento acadêmico e produção regional. O desenvolvimento técnico do curtimento, aliado à eliminação de substâncias tóxicas tradicionalmente utilizadas na indústria do couro, demonstra como ciência e tradição podem coexistir para gerar inovação com identidade regional.


O caso também reforça uma transformação importante na lógica da propriedade intelectual: ativos intangíveis deixaram de estar restritos apenas à tecnologia de ponta ou grandes centros industriais. Hoje, produtos artesanais, práticas culturais e conhecimentos locais também assumem posição estratégica na geração de valor econômico e competitividade.


Além disso, a conquista da IG tende a produzir impactos que ultrapassam a própria cadeia produtiva do couro. Turismo, gastronomia, artesanato, comércio local e valorização cultural passam a integrar um ambiente econômico fortalecido pela reputação territorial construída em torno do produto.


Outro ponto interessante é que a certificação evidencia como diferenciação e autenticidade se tornaram fatores centrais de mercado. Em um cenário de produção massificada, consumidores valorizam cada vez mais produtos com origem identificável, sustentabilidade comprovada e história própria.


No fim, o reconhecimento do couro de peixe de Pontal do Paraná demonstra que inovação nem sempre significa ruptura tecnológica sofisticada.

Muitas vezes, ela nasce justamente da capacidade de transformar tradição, território e conhecimento local em ativos econômicos protegidos, valorizados e competitivos.


Fonte: Bem Paraná

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