Copa fora de campo: quando marketing de guerrilha vira estratégia — e risco — para as marcas

Adriana Brunner • 27 de abril de 2026

A Copa do Mundo FIFA sempre foi muito mais do que futebol. É, acima de tudo, uma arena de disputa entre marcas — inclusive aquelas que não têm o patrocínio oficial, mas dominam a atenção do público.


É nesse contexto que o marketing de guerrilha ganha protagonismo. Empresas como Nike e Pepsi operam fora das quatro linhas para capturar visibilidade que, em tese, pertence a patrocinadores oficiais como Adidas e Coca-Cola.


Mas o que chama atenção não é apenas a disputa — é a evolução das estratégias.


De um lado, a Pepsi aposta na construção de um ecossistema narrativo. A campanha “Pepsi Football Nation” deixa de ser apenas um comercial para se tornar um universo interativo, com participação ativa dos consumidores e presença de ídolos como David Beckham. Aqui, o foco não é apenas impacto imediato, mas engajamento contínuo, criando ativos de longo prazo que podem sobreviver ao próprio evento.


Do outro lado, a Nike mostra como o marketing de guerrilha também envolve riscos reputacionais relevantes. A crise recente na Maratona de Boston evidencia um ponto crucial: em um ambiente hiperconectado, qualquer mensagem pode ser reinterpretada — e amplificada — em escala global. O que era uma tentativa de exaltar performance acabou sendo percebido como exclusão.


Esse contraste revela uma mudança importante: não basta mais “chamar atenção” — é preciso controlar a narrativa.


Além disso, há um elemento estratégico central: o marketing de guerrilha, quando bem executado, pode subverter a lógica do patrocínio oficial. A Nike é o exemplo clássico — mesmo sem ser patrocinadora da Copa, muitas vezes é percebida pelo público como protagonista. Isso demonstra que, no jogo das marcas, percepção pode superar investimento.


Por outro lado, o erro também custa mais caro. Em um cenário em que reputação é ativo, deslizes deixam de ser pontuais e passam a impactar diretamente o valor da marca.


No fim, o que se vê é uma disputa cada vez mais sofisticada:


  • não é só sobre visibilidade, 
  • não é só sobre criatividade, 
  • é sobre consistência, narrativa e gestão de risco.


A bola ainda nem rolou — mas, no campo das marcas, o jogo já está em fase decisiva.


Fonte: Notícias R7

TRATADO DE BUDAPESTE: BRASIL AVANÇA NA PROTEÇÃO GLOBAL DE INVENÇÕES BIOTECNOLÓGICAS
Por Adriana Brunner 10 de setembro de 2026
Brasil incorpora o Tratado de Budapeste e fortalece a proteção de patentes biotecnológicas. Entenda o que muda para empresas e pesquisadores.
Tradição garante a primeira Indicação Geográfica de cerveja do Brasil
Por Adriana Brunner 4 de setembro de 2026
Guarapuava (PR) conquista a 1ª Indicação Geográfica do Brasil para cerveja artesanal. Entenda o reconhecimento concedido pelo INPI.
Dez novas canetas depois, a guerra do Ozempic está só começando no Brasil
Por Adriana Brunner 2 de setembro de 2026
Fim da patente da semaglutida gera corrida no mercado farmacêutico brasileiro. Entenda o papel das marcas nessa nova disputa competitiva.
A QUEDA DA PATENTE DO OZEMPIC ACELERA A CORRIDA DAS CANETAS NO BRASIL
Por Adriana Brunner 1 de setembro de 2026
Com a queda da patente do Ozempic, 12 alternativas já foram aprovadas pela Anvisa. Entenda o impacto da expiração de patentes no mercado farmacêutico brasileiro.
“Natal Luz”: quando a proteção da marca alcança até eventos públicos
Por Adriana Brunner 31 de agosto de 2026
Justiça proíbe prefeitura baiana de usar nome "Natal Luz" por violação de marca registrada. Entenda o caso e seus impactos jurídicos.
Brasil e Coreia do Sul ampliam cooperação em propriedade intelectual
Por Adriana Brunner 28 de agosto de 2026
Brasil e Coreia do Sul aproximam laços em propriedade intelectual. Entenda por que marcas e patentes ganham papel estratégico nesse cenário.
Patentes revelam que a indústria automotiva ainda não escolheu uma única rota para o futuro
Por Adriana Brunner 27 de agosto de 2026
Levantamento de patentes revela disputa entre montadoras por diferentes tecnologias de propulsão. Entenda o que isso significa para o setor.
DA AUSÊNCIA DE PATENTES À LIDERANÇA TECNOLÓGICA: O QUE A CHINA ENSINA SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL
Por Adriana Brunner 26 de agosto de 2026
Como a China se tornou líder mundial em patentes em 40 anos e o que isso ensina sobre inovação e propriedade intelectual.
Por que farmacêuticas do Paraguai podem produzir “cópias” do Mounjaro legalmente
Por Adriana Brunner 25 de agosto de 2026
Entenda por que farmacêuticas do Paraguai podem produzir versões do Mounjaro legalmente, mas não vendê-las no Brasil. Saiba mais.
EXPRESSÃO POPULAR EM EVENTO NÃO VIOLA PROPRIEDADE INDUSTRIAL
Por Adriana Brunner 24 de agosto de 2026
TJ-SP autoriza uso de "Tardizinha Gospel" apesar de registro da marca "Tardezinha". Entenda a decisão e seus impactos jurídicos.
Mais Posts