PLP 32/2026 reacende debate sobre compensação de prazo de patentes no Brasil

Adriana Brunner • 12 de junho de 2026

O debate em torno do PLP 32/2026 evidencia uma das discussões mais sensíveis da propriedade industrial brasileira: até que ponto atrasos administrativos do INPI podem impactar a efetividade da proteção patentária.


O projeto ganhou destaque após entidades ligadas à inovação defenderem que o mecanismo previsto no texto não cria uma nova extensão automática de patentes, mas sim um sistema de recomposição limitada de prazo — o chamado Patent Term Adjustment (PTA).


Na prática, o PLP prevê a possibilidade de compensação do tempo perdido quando houver demora excessiva do próprio Estado na análise dos pedidos de patente. Segundo os defensores da proposta, essa recomposição teria limite máximo de cinco anos e só seria aplicada em hipóteses específicas em que o atraso seja atribuível ao INPI.


O ponto é relevante porque o tema inevitavelmente remete ao julgamento do STF de 2021, que declarou inconstitucional o parágrafo único do artigo 40 da Lei de Propriedade Industrial. Na ocasião, o Supremo afastou a extensão automática da vigência de patentes concedidas com atraso administrativo.


Os defensores do PLP sustentam, contudo, que os mecanismos são distintos. Enquanto o modelo derrubado pelo STF criava uma prorrogação automática e potencialmente indefinida da exclusividade, o PTA previsto no projeto buscaria uma compensação pontual, limitada e condicionada à comprovação de demora estatal específica.


Além da recomposição de prazo, o projeto também prevê medidas estruturais voltadas ao sistema de inovação. Entre elas, estão mecanismos para evitar contingenciamento de recursos do INPI e a criação de um fundo destinado à manutenção de patentes estratégicas de universidades e instituições científicas públicas.


O debate também possui forte impacto econômico e concorrencial. Críticos do projeto argumentam que a medida pode prolongar períodos de exclusividade e retardar a entrada de concorrentes em mercados como saúde, biotecnologia e defensivos agrícolas. Já os apoiadores defendem que a ausência de previsibilidade sobre o tempo efetivo de proteção reduz a segurança jurídica e desestimula investimentos intensivos em pesquisa e desenvolvimento no Brasil.


O caso mostra como a discussão sobre patentes deixou de ser apenas jurídica para se tornar uma questão estratégica de política industrial, inovação tecnológica e competitividade internacional.


Fonte: Veja

Perda da patente por omissão da empresa gera indenização a inventores
Por Adriana Brunner 11 de junho de 2026
Uma recente decisão da 7ª Turma do TST chama atenção para um tema pouco discutido na propriedade industrial.
Do Vale do Jequitinhonha para o mundo: a força estratégica da Indicação Geográfica da Chapada de Min
Por Adriana Brunner 10 de junho de 2026
O reconhecimento da Chapada de Minas como Indicação Geográfica pelo INPI representa muito mais do que um selo de procedência para cafés especiais.
Distintividade reconhecida o peso do parecer do INPI no caso Coffee++ x Nestlé
Por Adriana Brunner 9 de junho de 2026
A disputa entre a Coffee++ e a Nestlé ganhou um elemento central para o debate marcário: o reconhecimento, pelo INPI, da distintividade da marca “Coffee++”.
Serra da Mantiqueira fortalece sua reputação: cafés do Circuito das Águas conquistam Indicação Geogr
Por Adriana Brunner 29 de maio de 2026
O reconhecimento concedido pelo INPI aos cafés do Circuito das Águas representa mais do que um selo de origem...
INPI divulga rankings de depositantes de ativos de PI em 2025: um retrato da competitividade brasile
Por Adriana Brunner 28 de maio de 2026
O INPI divulgou os rankings de maiores depositantes de ativos de propriedade intelectual em 2025...
Golpes envolvendo registro de marcas crescem junto com a busca por proteção no INPI
Por Adriana Brunner 25 de maio de 2026
O aumento no número de pedidos de registro de marcas no Brasil trouxe um efeito colateral preocupante: o crescimento de golpes envolvendo falsas comunicações sobre processos no INPI.
Patente que demora perde valor: o custo invisível do backlog do INPI para a inovação brasileira
Por Adriana Brunner 22 de maio de 2026
O caso do medicamento Vonau Flash expõe um dos maiores entraves estruturais da inovação no Brasil: a demora na análise de patentes.
Propriedade intelectual e saúde: proteger inovação também é proteger o futuro do acesso a tratamento
Por Adriana Brunner 21 de maio de 2026
Existe uma percepção recorrente de que propriedade intelectual e acesso à saúde caminham em lados opostos. Mas a discussão real é mais complexa.
Patentes: por que proteger a inovação se tornou essencial para a economia moderna
Por Adriana Brunner 20 de maio de 2026
Patentes existem há mais de 600 anos — e continuam no centro das disputas sobre inovação, tecnologia e desenvolvimento econômico.
30 anos da Lei de Propriedade Industrial: o Brasil entendeu o valor da inovação
Por Adriana Brunner 19 de maio de 2026
Quando a Lei nº 9.279 foi sancionada em 1996, o país deixava para trás um modelo fechado e pouco alinhado às regras internacionais de inovação. Três décadas depois, o cenário mudou
Mais Posts