Itaú entre os maiores depositantes de patentes do Brasil: quando a inovação passa a ser um ativo estratégico
A entrada do Itaú Unibanco no ranking dos 50 maiores depositantes de patentes do Brasil, divulgado pelo INPI, representa um importante marco para a inovação nacional. Mais do que um reconhecimento estatístico, o resultado evidencia uma mudança de paradigma: a propriedade intelectual deixou de ser um instrumento restrito à indústria e passou a ocupar posição estratégica também no setor financeiro.
O banco é a única instituição financeira presente na lista e figura entre as cinco empresas privadas residentes com maior número de depósitos de patentes no país. O resultado decorre da atuação do Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú (ICTi), criado para estruturar a agenda de pesquisa aplicada e de propriedade intelectual da instituição.
Em pouco mais de um ano, o ICTi elevou o número de pedidos de patentes de 5 para 21, além de obter duas concessões. Entre as tecnologias protegidas estão soluções baseadas em inteligência artificial generativa, voltadas ao aprimoramento da experiência do cliente, bem como o "Enviesador", tecnologia desenvolvida para identificar vieses em modelos conversacionais de IA e promover uma utilização mais segura e confiável dessas ferramentas.
O caso demonstra que a patente não protege apenas produtos físicos ou invenções industriais. Cada vez mais, ela é utilizada para resguardar métodos, sistemas e soluções tecnológicas capazes de gerar vantagem competitiva em mercados altamente digitais e intensivos em dados.
Outro aspecto relevante é a aproximação entre pesquisa científica e aplicação empresarial. A criação de um instituto dedicado à inovação evidencia que empresas líderes estão investindo em estruturas permanentes para transformar conhecimento em ativos de propriedade intelectual, fortalecendo seu posicionamento tecnológico e ampliando barreiras à concorrência.
A meta anunciada pelo Itaú de alcançar 50 novos depósitos de patentes até o final de 2026 reforça que a propriedade intelectual integra sua estratégia de longo prazo, funcionando não apenas como mecanismo de proteção, mas também como indicador de capacidade inovadora.
O exemplo do Itaú revela uma tendência que deve se intensificar nos próximos anos: empresas dos mais diversos setores, inclusive aqueles tradicionalmente associados à prestação de serviços, passam a reconhecer que inovação sem proteção pode significar perda de valor, enquanto uma gestão estratégica de patentes contribui para consolidar diferenciais competitivos, atrair investimentos e impulsionar o desenvolvimento tecnológico.
A inovação gera valor. A patente transforma esse valor em um ativo jurídico e estratégico.
Fonte:
IT Forum












