A QUEDA DA PATENTE DO OZEMPIC ACELERA A CORRIDA DAS CANETAS NO BRASIL

Adriana Brunner • 1 de setembro de 2026

A expiração da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, abriu uma nova etapa no mercado farmacêutico brasileiro: a corrida pela produção de alternativas ao medicamento de referência.


Segundo a VEJA, a Anvisa já autorizou 12 opções de medicamentos à base de semaglutida. O primeiro foi o Ozivy, da EMS, produzido com semaglutida obtida por síntese química. Depois, chegaram outros similares, como Owozy (Ávita Care), Seemasun (Sun Farmacêutica), Zempneo (Brainfarma), Semavy (Cosmed/Hypera Pharma) e Orsema (Ranbaxy). A EMS também obteve autorização para o primeiro genérico da categoria.


SEMAGLUTIDA BIOLÓGICA X SEMAGLUTIDA SINTÉTICA


O Ozempic e o Wegovy, da Novo Nordisk, utilizam semaglutida produzida por processo biotecnológico. Já parte dos novos medicamentos utiliza semaglutida obtida por síntese química.


A diferença está na rota tecnológica de produção, e não significa, por si só, que uma versão seja superior à outra. O produto precisa atender aos requisitos de qualidade, segurança e eficácia estabelecidos pela Anvisa.


Essa distinção também mostra por que a queda da patente não significa simplesmente “copiar” o medicamento original: novos fabricantes podem desenvolver diferentes soluções tecnológicas para produzir o mesmo princípio ativo, respeitando as proteções de propriedade intelectual que ainda estejam vigentes.


E a própria inovadora está se reposicionando


A Novo Nordisk firmou parceria com a brasileira Eurofarma para produzir e distribuir o Extensior e o Poviztra, respectivamente. A queda da patente, portanto, não elimina o inovador: transforma um mercado protegido pela exclusividade em um mercado de maior concorrência tecnológica e comercial.


E os preços já refletem essa mudança


O Ozivy chegou às farmácias por cerca de R$ 333, pois a tecnologia própria desenvolvida pelo laboratório e a produção em escala 100% local permitiram oferecer um valor mais competitivo. Já o Extensior passou a custar aproximadamente R$ 400, cerca de metade do preço do Ozempic.


Mas há outro dado que chama atenção: o mercado paralelo. Entre novembro de 2025 e julho de 2026, foram importados 4,2 kg de semaglutida e 150 kg de tirzepatida como insumo.


Para dimensionar esse volume, 130 kg dessas substâncias correspondem a aproximadamente 25 milhões de doses.


É nesse ponto que propriedade intelectual, inovação e regulação sanitária se encontram


A patente assegura uma exclusividade temporária, destinada a estimular e remunerar o investimento em pesquisa e desenvolvimento. Com o fim da proteção, abre-se espaço para novos fabricantes, maior oferta e competição por preços — mas sempre respeitando as demais patentes eventualmente vigentes e as exigências da Anvisa.


A expansão da oferta regularizada pode, inclusive, contribuir para reduzir o espaço ocupado pelo mercado irregular e ampliar o acesso aos tratamentos.


A grande lição é que a patente não representa um monopólio permanente. Primeiro, a exclusividade incentiva a inovação; depois, seu término permite que a própria inovação dê origem a um novo ciclo de concorrência, desenvolvimento tecnológico e acesso.


Fonte: Veja

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