SANTOS X PIRATARIA

Adriana Brunner • 19 de agosto de 2024

O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu que o simples fato de uma marca ser renomada não justifica, por si só, a imposição de uma indenização maior em casos de uso indevido. Embora essa decisão possa ter sua base jurídica, é preocupante o efeito que isso pode ter no mercado, especialmente em relação ao incentivo à pirataria.


No caso em discussão, o Santos Futebol Clube acionou uma Micro Empresa pela venda de camisetas com sua marca e, embora o resultado tenha sido a condenação, os danos morais impostos foram de R$ 2.000,00 em razão do porte da empresa, valor este mantido mesmo diante do recurso do Santos.


Infelizmente, ao manter indenizações baixas, a decisão pode acabar incentivando outras empresas ou indivíduos a adotar a mesma prática, acreditando que os riscos financeiros são mínimos. Isso, por sua vez, pode contribuir para o aumento da pirataria e do uso não autorizado de marcas.


Temos, ainda, que as marcas renomadas investem fortemente em sua reputação e imagem. Quando essas marcas são usadas indevidamente e as penalidades não refletem o valor da marca e o impacto do uso não autorizado, isso acaba por diluir seu valor e enfraquecer sua proteção.


Assim, é importante refletir sobre suas implicações práticas de decisões deste tipo. Penalidades financeiras baixas para o uso indevido de marcas renomadas podem, paradoxalmente, incentivar a pirataria e a exploração indevida dessas marcas, ao invés de protegê-las. É essencial que o sistema jurídico considere o impacto potencial dessas decisões no combate à pirataria e na proteção efetiva das marcas no mercado.


Fonte: Consultor Jurídico

Golpes envolvendo registro de marcas crescem junto com a busca por proteção no INPI
Por Adriana Brunner 25 de maio de 2026
O aumento no número de pedidos de registro de marcas no Brasil trouxe um efeito colateral preocupante: o crescimento de golpes envolvendo falsas comunicações sobre processos no INPI.
Patente que demora perde valor: o custo invisível do backlog do INPI para a inovação brasileira
Por Adriana Brunner 22 de maio de 2026
O caso do medicamento Vonau Flash expõe um dos maiores entraves estruturais da inovação no Brasil: a demora na análise de patentes.
Propriedade intelectual e saúde: proteger inovação também é proteger o futuro do acesso a tratamento
Por Adriana Brunner 21 de maio de 2026
Existe uma percepção recorrente de que propriedade intelectual e acesso à saúde caminham em lados opostos. Mas a discussão real é mais complexa.
Patentes: por que proteger a inovação se tornou essencial para a economia moderna
Por Adriana Brunner 20 de maio de 2026
Patentes existem há mais de 600 anos — e continuam no centro das disputas sobre inovação, tecnologia e desenvolvimento econômico.
30 anos da Lei de Propriedade Industrial: o Brasil entendeu o valor da inovação
Por Adriana Brunner 19 de maio de 2026
Quando a Lei nº 9.279 foi sancionada em 1996, o país deixava para trás um modelo fechado e pouco alinhado às regras internacionais de inovação. Três décadas depois, o cenário mudou
Couro de peixe e Indicação Geográfica: quando tradição, sustentabilidade e inovação geram valor
Por Adriana Brunner 18 de maio de 2026
A concessão de Indicação Geográfica ao couro de peixe produzido em Pontal do Paraná mostra como a propriedade intelectual pode atuar como ferramenta concreta de desenvolvimento regional.
Inovação não é ideia: é capacidade de transformar conhecimento em valor
Por Adriana Brunner 15 de maio de 2026
Os números de depósitos de patentes no Brasil revelam um paradoxo relevante: o país produz conhecimento técnico e científico em escala significativa...
Indicações Geográficas impulsionam exportações e fortalecem o turismo rural
Por Adriana Brunner 14 de maio de 2026
As Indicações Geográficas vêm deixando de ser apenas um selo de reconhecimento territorial para se consolidarem como verdadeiras ferramentas de desenvolvimento econômico.
Quando o alfabeto não tem dono: marca portuguesa vence a Louis Vuitton em disputa por “LV”
Por Adriana Brunner 13 de maio de 2026
A recente derrota da Louis Vuitton em disputa contra a pequena marca portuguesa “Licores do Vale” traz uma discussão importante sobre os limites da exclusividade marcária.
Publicidade comparativa tem limite: iFood vence ação contra 99Food por concorrência desleal
Por Adriana Brunner 8 de maio de 2026
A recente decisão da Justiça de São Paulo envolvendo iFood e 99Food reacende um tema central no Direito da Concorrência: até onde uma empresa pode ir ao comparar seus serviços com os de um concorrente?
Mais Posts