Indicações Geográficas em expansão: quando a origem vira vantagem competitiva

Adriana Brunner • 2 de fevereiro de 2026

O crescimento acelerado das Indicações Geográficas (IGs) no Brasil nos últimos cinco anos revela uma mudança estrutural na forma como produtos e serviços são posicionados no mercado. O mais que dobrar de registros nesse período sinaliza que a origem deixou de ser apenas narrativa cultural para se consolidar como ativo estratégico de diferenciação e proteção.


As IGs fortalecem pequenos e médios produtores ao associar qualidade, reputação e identidade territorial a um modelo de concorrência baseado em valor, e não apenas em escala ou preço. Ao proteger o nome geográfico, o sistema cria barreiras à apropriação indevida, estimula a organização coletiva e favorece o acesso a mercados mais exigentes, inclusive internacionais.


Esse avanço também evidencia maior maturidade institucional: a obtenção de uma IG exige governança estruturada, mecanismos de controle, comprovação técnica e padronização produtiva. Trata-se de um processo que demanda tempo, coordenação e investimento, mas que gera efeitos duradouros para o desenvolvimento regional.


A predominância de registros em cadeias como café, apicultura e artesanato demonstra que setores intensivos em tradição, saber-fazer e vínculo territorial encontram nas IGs uma ferramenta eficaz para agregar valor, garantir rastreabilidade e comunicar autenticidade ao consumidor.


No conjunto, a expansão das Indicações Geográficas confirma seu papel como instrumento de propriedade intelectual aplicada ao território, capaz de articular inovação, preservação cultural e competitividade econômica em um mesmo arranjo produtivo.

 

Fonte: Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios

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