A Fuga de Patentes da Mata Atlântica: Um Desafio para a Inovação Brasileira

Adriana Brunner • 27 de junho de 2024

Um estudo recente do Instituto Nacional da Mata Atlântica revelou que 92% das patentes de inovações envolvendo a flora da Mata Atlântica foram registradas fora do Brasil, principalmente na China, Japão, Estados Unidos e Coreia. Estas patentes abrangem setores como agricultura, pecuária, farmacêutico, cosmético, alimentos, bebidas e tratamento de água e resíduos.


A pesquisadora Celise Villa dos Santos destaca a necessidade de uma política global para impedir essa "fuga" de patentes, propondo a implementação do Certificado Internacional de Origem. Este certificado, em negociação desde 2011 no Conselho de Direitos de Propriedade Intelectual da Organização Mundial do Comércio, é essencial para garantir o reconhecimento da origem do patrimônio genético.


Os Obstáculos e as Iniciativas no Brasil


A pesquisa, realizada em colaboração com a Universidade Federal de Pernambuco e a Universidade Federal de São Carlos, analisou cerca de 7.400 patentes relacionadas a espécies da Mata Atlântica. Um dos principais desafios identificados é o custo elevado e a complexidade de registrar e manter patentes, além de questões culturais e políticas públicas insuficientes.


Embora o Brasil tenha implementado, em 2017, o Sistema de Gestão do Patrimônio Genético e Conhecimentos Tradicionais Associados (Sisgen), que controla o acesso à biodiversidade e as tecnologias desenvolvidas internamente, ainda há um longo caminho a percorrer. A recente Estratégia Nacional de Bioeconomia, lançada pelo governo federal, visa promover cadeias de produtos e serviços que utilizem recursos biológicos, o que pode ser um passo importante para que as riquezas naturais brasileiras gerem mais benefícios dentro do país.


A Riqueza da Biodiversidade Brasileira


Com a maior biodiversidade do mundo distribuída em seis biomas (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal), o Brasil tem um enorme potencial para inovações tecnológicas na área de biotecnologia. Infelizmente, a Mata Atlântica tem atualmente apenas 12% de vegetação nativa remanescente e apesar de ser o bioma mais fragmentado e impactado pela urbanização, ainda possui uma rica variedade de espécies vegetais que podem ser utilizadas para desenvolvimentos científicos e econômicos.


Conclusão


A fuga de patentes representa um desafio significativo para o Brasil, que precisa fortalecer suas políticas de proteção e incentivo à inovação. A implementação do Certificado Internacional de Origem e a Estratégia Nacional de Bioeconomia são passos cruciais para garantir que o patrimônio genético brasileiro seja devidamente reconhecido e aproveitado para o desenvolvimento sustentável e econômico do país.


Fonte: tribunadoagreste

Golpes envolvendo registro de marcas crescem junto com a busca por proteção no INPI
Por Adriana Brunner 25 de maio de 2026
O aumento no número de pedidos de registro de marcas no Brasil trouxe um efeito colateral preocupante: o crescimento de golpes envolvendo falsas comunicações sobre processos no INPI.
Patente que demora perde valor: o custo invisível do backlog do INPI para a inovação brasileira
Por Adriana Brunner 22 de maio de 2026
O caso do medicamento Vonau Flash expõe um dos maiores entraves estruturais da inovação no Brasil: a demora na análise de patentes.
Propriedade intelectual e saúde: proteger inovação também é proteger o futuro do acesso a tratamento
Por Adriana Brunner 21 de maio de 2026
Existe uma percepção recorrente de que propriedade intelectual e acesso à saúde caminham em lados opostos. Mas a discussão real é mais complexa.
Patentes: por que proteger a inovação se tornou essencial para a economia moderna
Por Adriana Brunner 20 de maio de 2026
Patentes existem há mais de 600 anos — e continuam no centro das disputas sobre inovação, tecnologia e desenvolvimento econômico.
30 anos da Lei de Propriedade Industrial: o Brasil entendeu o valor da inovação
Por Adriana Brunner 19 de maio de 2026
Quando a Lei nº 9.279 foi sancionada em 1996, o país deixava para trás um modelo fechado e pouco alinhado às regras internacionais de inovação. Três décadas depois, o cenário mudou
Couro de peixe e Indicação Geográfica: quando tradição, sustentabilidade e inovação geram valor
Por Adriana Brunner 18 de maio de 2026
A concessão de Indicação Geográfica ao couro de peixe produzido em Pontal do Paraná mostra como a propriedade intelectual pode atuar como ferramenta concreta de desenvolvimento regional.
Inovação não é ideia: é capacidade de transformar conhecimento em valor
Por Adriana Brunner 15 de maio de 2026
Os números de depósitos de patentes no Brasil revelam um paradoxo relevante: o país produz conhecimento técnico e científico em escala significativa...
Indicações Geográficas impulsionam exportações e fortalecem o turismo rural
Por Adriana Brunner 14 de maio de 2026
As Indicações Geográficas vêm deixando de ser apenas um selo de reconhecimento territorial para se consolidarem como verdadeiras ferramentas de desenvolvimento econômico.
Quando o alfabeto não tem dono: marca portuguesa vence a Louis Vuitton em disputa por “LV”
Por Adriana Brunner 13 de maio de 2026
A recente derrota da Louis Vuitton em disputa contra a pequena marca portuguesa “Licores do Vale” traz uma discussão importante sobre os limites da exclusividade marcária.
Publicidade comparativa tem limite: iFood vence ação contra 99Food por concorrência desleal
Por Adriana Brunner 8 de maio de 2026
A recente decisão da Justiça de São Paulo envolvendo iFood e 99Food reacende um tema central no Direito da Concorrência: até onde uma empresa pode ir ao comparar seus serviços com os de um concorrente?
Mais Posts