Novo Cenário do Registro de Marcas no Brasil: Slogans, Apostas e Secondary Meaning

Adriana Brunner • 18 de março de 2025

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) tem implementado novas diretrizes na análise de pedidos de registro de marca, trazendo avanços significativos para a proteção marcária no Brasil. Entre as principais mudanças, destacam-se:


Registro de Slogans como Marca


O INPI passou a aceitar o registro de slogans como marca, desde que exerçam função distintiva. Antes, o entendimento era de que slogans serviam apenas para recomendação ou divulgação de produtos e serviços, o que os tornava irregistráveis de acordo com o artigo 124, VII, da Lei de Propriedade Industrial (LPI). Com a nova interpretação, slogans originais e distintivos podem ser registrados na primeira instância administrativa, alinhando o Brasil às práticas adotadas na maioria dos países.


A nova regra, publicada no Manual de Marcas em novembro de 2024, estabelece que, para que um pedido de registro de marca contendo um slogan seja indeferido, ele deve, cumulativamente: (i) exercer função de propaganda e (ii) não possuir capacidade distintiva.


Registro de Marcas para Serviços de Apostas


Outra grande mudança envolve o registro de marcas para serviços de apostas esportivas, agora permitido devido à regulamentação do setor. A Lei 14.790/2023, que complementa a Lei 13.756/2018, trouxe segurança jurídica para a exploração desse mercado no Brasil, o que levou o INPI a revisar seu posicionamento.


Antes, o Instituto não aceitava o registro de marcas para serviços de apostas por serem considerados atividades ilícitas. Com a nova regulação, e após parecer da Procuradoria Federal Especializada, o INPI passou a permitir o registro de marcas para apostas de quota fixa e jogos online, desde que a empresa solicitante esteja previamente autorizada pelo Ministério da Fazenda.


Reconhecimento do Secondary Meaning


O INPI também avança na possibilidade de reconhecer marcas cuja distintividade tenha sido adquirida pelo uso (secondary meaning). O tema passou por estudo comparativo internacional e consulta pública, e o INPI pretende implementar novos procedimentos técnicos para esse reconhecimento ainda em 2025.


Outras Iniciativas


Além dessas grandes mudanças, o INPI também pretende, dentre outras iniciativas, eliminar a exigência de certificação ICP-Brasil para assinaturas eletrônicas em interações com o INPI e lançar o Certificado de Reconhecimento de Alto Renome de Marca.


Essas medidas demonstram um esforço do INPI para modernizar e tornar mais eficiente o sistema de registro de marcas no Brasil, trazendo mais segurança jurídica para empresas e empreendedores.


Fonte: JOTA

Golpes envolvendo registro de marcas crescem junto com a busca por proteção no INPI
Por Adriana Brunner 25 de maio de 2026
O aumento no número de pedidos de registro de marcas no Brasil trouxe um efeito colateral preocupante: o crescimento de golpes envolvendo falsas comunicações sobre processos no INPI.
Patente que demora perde valor: o custo invisível do backlog do INPI para a inovação brasileira
Por Adriana Brunner 22 de maio de 2026
O caso do medicamento Vonau Flash expõe um dos maiores entraves estruturais da inovação no Brasil: a demora na análise de patentes.
Propriedade intelectual e saúde: proteger inovação também é proteger o futuro do acesso a tratamento
Por Adriana Brunner 21 de maio de 2026
Existe uma percepção recorrente de que propriedade intelectual e acesso à saúde caminham em lados opostos. Mas a discussão real é mais complexa.
Patentes: por que proteger a inovação se tornou essencial para a economia moderna
Por Adriana Brunner 20 de maio de 2026
Patentes existem há mais de 600 anos — e continuam no centro das disputas sobre inovação, tecnologia e desenvolvimento econômico.
30 anos da Lei de Propriedade Industrial: o Brasil entendeu o valor da inovação
Por Adriana Brunner 19 de maio de 2026
Quando a Lei nº 9.279 foi sancionada em 1996, o país deixava para trás um modelo fechado e pouco alinhado às regras internacionais de inovação. Três décadas depois, o cenário mudou
Couro de peixe e Indicação Geográfica: quando tradição, sustentabilidade e inovação geram valor
Por Adriana Brunner 18 de maio de 2026
A concessão de Indicação Geográfica ao couro de peixe produzido em Pontal do Paraná mostra como a propriedade intelectual pode atuar como ferramenta concreta de desenvolvimento regional.
Inovação não é ideia: é capacidade de transformar conhecimento em valor
Por Adriana Brunner 15 de maio de 2026
Os números de depósitos de patentes no Brasil revelam um paradoxo relevante: o país produz conhecimento técnico e científico em escala significativa...
Indicações Geográficas impulsionam exportações e fortalecem o turismo rural
Por Adriana Brunner 14 de maio de 2026
As Indicações Geográficas vêm deixando de ser apenas um selo de reconhecimento territorial para se consolidarem como verdadeiras ferramentas de desenvolvimento econômico.
Quando o alfabeto não tem dono: marca portuguesa vence a Louis Vuitton em disputa por “LV”
Por Adriana Brunner 13 de maio de 2026
A recente derrota da Louis Vuitton em disputa contra a pequena marca portuguesa “Licores do Vale” traz uma discussão importante sobre os limites da exclusividade marcária.
Publicidade comparativa tem limite: iFood vence ação contra 99Food por concorrência desleal
Por Adriana Brunner 8 de maio de 2026
A recente decisão da Justiça de São Paulo envolvendo iFood e 99Food reacende um tema central no Direito da Concorrência: até onde uma empresa pode ir ao comparar seus serviços com os de um concorrente?
Mais Posts