PL do “Ozempic” reacende debate sobre extensão de patentes e segurança jurídica no Brasil

Adriana Brunner • 12 de fevereiro de 2026

O PL nº 5.810/2025, apelidado de PL do Ozempic, propõe alterar a Lei de Propriedade Industrial para permitir a extensão do prazo de vigência de patentes quando houver atraso na análise pelo INPI não imputável ao titular. Na prática, a proposta cria um mecanismo de compensação administrativa que pode estender a exclusividade por até cinco anos, assegurando que o prazo efetivo de proteção não fique abaixo do padrão internacional de 20 anos.


Sob a ótica do legislador, o projeto busca restabelecer segurança jurídica e estimular investimentos, especialmente em setores intensivos em tecnologia, como fármacos, biotecnologia e inovação. A justificativa central é que a demora administrativa penaliza o titular que investe em pesquisa e desenvolvimento no país.


Por outro lado, a proposta levanta preocupações relevantes concorrenciais e econômicas. A extensão do prazo tende a postergar a entrada de genéricos e biossimilares, impactando diretamente os preços e, de forma sensível, os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS). Medicamentos de alto custo, como Ozempic, Keytruda, Opdivo, Eylea e Stelara, estariam entre os mais afetados.


O debate ganha contornos ainda mais complexos à luz do precedente do STF na ADI 5529, que, em 2021, declarou inconstitucional o mecanismo automático de prorrogação de patentes previsto na LPI, por violação a princípios como livre concorrência, segurança jurídica e interesse público. Embora o PL tente diferenciar-se ao exigir comprovação do atraso e instaurar processo administrativo específico, a compatibilidade constitucional da proposta certamente será novamente questionada.


Assim, o projeto recoloca no centro da agenda a tensão estrutural do sistema de patentes: de um lado, o incentivo à inovação e à atração de investimentos; de outro, o acesso a medicamentos, a concorrência e a sustentabilidade das políticas públicas de saúde.


Fonte: CONGRESSO em FOCO

Óticas Carol vs. Ótica Vida: Você é dono do nome ou do mercado?
Por Adriana Brunner 27 de março de 2026
Muita gente acredita que registrar uma marca é como comprar um terreno e colocar uma cerca: ninguém mais entra.
Google Ads: O custo invisível de
Por Adriana Brunner 26 de março de 2026
Muitas empresas acreditam que configurar a marca de um competidor como palavra-chave no Google é uma forma legítima de atrair clientes.
Fim da patente: quando a inovação retorna à sociedade
Por Adriana Brunner 24 de março de 2026
A expiração da patente da Semaglutida no Brasil é um exemplo claro de como o sistema de patentes foi concebido para funcionar: garantir exclusividade por um período limitado e, ao final, liberar a tecnologia para uso coletivo.
IA na Criação: Quem é o autor e quem é o responsável?
Por Adriana Brunner 23 de março de 2026
Se a sua equipe de Marketing ou Produto está usando IA para compor trilhas sonoras, gerar imagens de campanhas ou escrever textos técnicos, você precisa ler este alerta.
Redes Sociais: Ativo de Marketing ou Prova de Infração?
Por Adriana Brunner 18 de março de 2026
O que acontece quando o seu sucesso no Instagram vira o motivo da sua condenação na Justiça? Uma decisão recente da 2ª Vara Empresarial de São Paulo contra a empresa IVA Química traz um alerta para CEOs e CMOs.
IG na prática: quando a origem cria valor — e mercado
Por Adriana Brunner 17 de março de 2026
O reconhecimento da Indicação Geográfica do café da Chapada de Minas pelo INPI, na modalidade Indicação de Procedência (IP), vai muito além de um selo: é a formalização de uma reputação construída de forma estratégica — e recente.
Propriedade Intelectual: Os dois lados da mesma moeda
Por Adriana Brunner 16 de março de 2026
No xadrez corporativo, a Propriedade Intelectual (PI) tem duas funções vitais. Se você foca em apenas uma, sua empresa está vulnerável.
Por Adriana Brunner 13 de março de 2026
Muitos empresários acreditam que, ao registrar uma marca, tornam-se "donos" de uma palavra para sempre.
Copa do Mundo, patrocinadores e os limites da exclusividade das cores nacionais
Por Adriana Brunner 11 de março de 2026
Com a aproximação da Copa do Mundo FIFA 2026, um tema que sempre retorna ao debate é o chamado marketing de emboscada — quando empresas que não são patrocinadoras oficiais tentam se associar ao evento ou ao clima esportivo para promover seus produtos.
Quando a tecnologia vira
Por Adriana Brunner 10 de março de 2026
Você já parou para pensar que a marca do seu produto é uma promessa? Quando essa promessa é quebrada pela concorrência, o prejuízo não é só financeiro, é de reputação de todo o setor.
Mais Posts