Café Conilon do Espírito Santo: tradição, inovação e reconhecimento internacional

Adriana Brunner • 25 de agosto de 2025

Entre montanhas, vales e lavouras que desenham a paisagem capixaba, o café conilon se tornou mais do que uma produção agrícola: é símbolo de identidade, herança cultural e motor de desenvolvimento para milhares de famílias. Hoje, o Espírito Santo é o maior produtor de conilon do Brasil e responsável por mais de 20% de toda a produção mundial. Esse protagonismo ganhou ainda mais destaque em 2021, quando o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu ao produto o selo de Indicação de Procedência (IP), transformando o estado no primeiro território brasileiro a ter reconhecimento oficial para a produção de conilon em todo seu território.


Herança que atravessa gerações


Desde 1912, quando as primeiras mudas chegaram ao estado, o conilon cresceu e se consolidou. A partir da década de 1960, expandiu-se de forma expressiva, tornando-se parte inseparável da vida rural capixaba. Hoje, famílias como a de Fabrícia Colombi, em São Gabriel da Palha, mantêm viva essa tradição. Para ela, o reconhecimento por meio da IG simboliza a valorização do trabalho coletivo: "Produzir o Café Conilon Espírito Santo, com IG, é uma vitória para todos nós produtores. Mostra que nosso esforço tem identidade e qualidade."


Qualidade que conquista o mundo


A cafeicultura capixaba passou por uma verdadeira transformação. Se antes o foco era produzir em quantidade, hoje o cuidado com o manejo, a secagem e o processamento garante cafés de altíssima qualidade, muitos já classificados como especiais. Produtores como Lucas e Isaac Venturim celebram a evolução: prêmios nacionais e internacionais colocam o conilon capixaba lado a lado com origens consagradas do mundo. "Se o Espírito Santo fosse um país, seria o terceiro maior produtor mundial. Mas, mais do que volume, é qualidade e consistência que nos diferenciam", destaca Lucas.


Um território que respira café


O sucesso também se explica pela força coletiva. Cooperativas como a Cooabriel, a maior do Brasil voltada ao conilon, reúnem milhares de produtores e fortalecem a cadeia produtiva. Essa união, somada ao apoio de instituições como Sebrae/ES, Incaper, Embrapa Café e universidades, garantiu o avanço em tecnologia, rastreabilidade e práticas sustentáveis.


O selo que abre portas


A Indicação Geográfica vai além da chancela de qualidade. Ela protege a origem, assegura diferenciação no mercado e fortalece o desenvolvimento territorial. Segundo o Sebrae/ES, a IG é também um vetor de turismo e de valorização cultural, aproximando o consumidor da história e da tradição por trás de cada xícara de café.


Tradição e inovação lado a lado


Hoje, o Café Conilon Espírito Santo alia o trabalho artesanal — como a secagem em terreiros suspensos — à tecnologia, com QR Codes que permitem rastrear cada lote. O resultado é um produto que mantém viva a herança das gerações anteriores, mas que também dialoga com as exigências do mercado global.


Símbolo do Espírito Santo


Mais que um grão, o conilon é identidade capixaba. Ele sustenta comunidades, projeta o Espírito Santo no cenário internacional e se firma como elo entre passado e futuro. O reconhecimento como Indicação Geográfica não apenas valoriza os produtores locais, mas consolida o café como marca coletiva, capaz de carregar consigo tradição, inovação e orgulho de um estado que respira café.


Fonte: Folha Vitória

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