Brasileiros apoiam inovação e reconhecem o papel das patentes, revela estudo inédito

Adriana Brunner • 22 de dezembro de 2025

Pesquisa nacional realizada pela Nexus, a pedido do Movimento Brasil pela Inovação, traz um dado relevante para o debate público: quando a população compreende como funciona o sistema de patentes, o apoio à proteção da inovação é majoritário. O estudo ajuda a desmontar a ideia de que a sociedade rejeita, por princípio, a exclusividade patentária.


Embora apenas 1 em cada 4 brasileiros declare conhecer as regras de propriedade intelectual, 59% passam a apoiar o prazo de 20 anos de patente quando informados sobre sua função na viabilização de novas tecnologias. O dado revela que o desafio central não é resistência social, mas déficit de informação qualificada.


Patentes, atraso estatal e impacto no acesso


O levantamento também evidencia uma percepção clara sobre os efeitos da morosidade regulatória:


  • 80% entendem que a lentidão no registro de patentes prejudica a oferta de novos medicamentos;
  • 63% acreditam que encurtar o prazo de proteção afasta empresas do setor de saúde;
  • 61% veem a redução do prazo como desestímulo à pesquisa e desenvolvimento;
  • 59% associam a perda de proteção ao menor acesso a tratamentos inovadores;
  • 63% reconhecem que garantir o tempo de patente acelera a chegada de novas terapias à população.


Esses números revelam uma compreensão intuitiva da lógica da inovação: sem previsibilidade e retorno ao investimento, não há incentivo real à pesquisa — especialmente em setores de alto risco, como o farmacêutico.


Saúde, inovação e segurança jurídica


Quando o recorte é a saúde, o consenso é ainda mais expressivo: 83% dos entrevistados afirmam que o futuro do sistema de saúde brasileiro depende do investimento contínuo da indústria em ciência e inovação. O dado reforça que a proteção à propriedade intelectual não é vista como obstáculo, mas como condição para o avanço terapêutico.


Nesse contexto, o debate sobre segurança jurídica, previsibilidade e mecanismos de correção de atrasos estatais, como o Patent Term Adjustment (PTA), deixa de ser corporativo e passa a ser socialmente relevante.


O que o estudo revela, em essência


  • A sociedade apoia a inovação quando entende suas regras;
  • Patentes são percebidas como instrumento de acesso — não de exclusão;
  • A insegurança jurídica afeta diretamente medicamentos, tecnologia e qualidade de vida;
  • Ampliar o debate público sobre propriedade intelectual é estratégico para o país.


O estudo da Nexus mostra que o Brasil está mais preparado para esse debate do que se imagina. Falta menos convencimento — e mais clareza, informação e decisão institucional.


Fonte: ESTADÃO

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