GII 2026: o Brasil tem os ingredientes da inovação. Falta conectá-los.
A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI/WIPO) acaba de divulgar o Global Innovation Index 2026 (GII), que avalia 139 economias.
O Brasil aparece na 53ª posição, uma abaixo da colocação de 2025. Mas olhar apenas para a posição no ranking pode esconder uma fotografia mais interessante. Desde 2019, o país está entre as economias que mais avançaram e, pelo sexto ano consecutivo, apresenta desempenho em inovação acima do esperado para seu nível de desenvolvimento.
O Brasil possui importantes ativos de inovação: uma base científica e de P&D relevante, um grande mercado interno, forte atividade de marcas, venture capital em estágio avançado e investimentos corporativos em P&D. O país também tem em São Paulo um dos principais polos de inovação do mundo, classificado pela WIPO em 49º lugar entre os clusters globais de inovação em 2026.
O desafio está em conectar esses ingredientes.
Não basta produzir conhecimento científico se ele não chega às empresas. Não basta desenvolver uma tecnologia se ela não se transforma em produto. Não basta criar uma startup se ela não encontra capital para crescer e alcançar escala.
É justamente essa passagem — da ciência para o mercado, da inovação para a produtividade e da tecnologia para a escala — que continua sendo um dos grandes desafios brasileiros.
Os próprios indicadores do GII evidenciam essa distância. O Brasil ocupa a 94ª posição em crescimento da produtividade do trabalho, a 101ª em graduados em ciência e engenharia e a 129ª em ambiente de negócios.
Por outro lado, o país apresenta posições expressivas em alguns ativos: 8º em atividade de marcas, 16º em venture capital em estágio avançado e 23º em investidores corporativos em P&D.
A mensagem do GII 2026, portanto, não parece ser simplesmente a de que o Brasil precisa inovar mais.
É preciso transformar melhor a inovação que já produzimos em negócios, produtos, produtividade e competitividade internacional.
E isso passa por aproximar universidades, centros de pesquisa, empresas, investidores e mercado — criando um ambiente em que uma boa ideia não pare no laboratório, mas consiga percorrer todo o caminho até chegar ao consumidor.
Inovação não termina na invenção. Ela ganha valor quando consegue chegar ao mercado e gerar escala.
Fonte: o antagonista












