NOME DE PERSONAGEM NÃO PODE SER REGISTRADO COMO MARCA

Adriana Brunner • 19 de setembro de 2016

Emissora de TV não pode registrar personagem “Coxinha” criado por humorista

A 2ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (RJ e ES) rejeitou, em janeiro de 2015, a apelação da TV Capital de Fortaleza, mantendo a sentença de primeira instância que declarou a nulidade da marca “Coxinha”, por reproduzir indevidamente o nome de um personagem criado por um humorista.


A TV Capital assinou contrato com o humorista em 2006. Em 2009, o contrato foi rescindido, mas a TV Capital de Fortaleza continuou produzindo programas de TV com o personagem, depositando, inclusive, a marca “Coxinha”, perante o INPI, que foi concedida.


Ao tomar conhecimento da concessão da marca “Coxinha”, o comediante José Iramar Augusto Aristóteles, conhecido como Hiran Delmar, ingressou com a ação de nulidade de registro, contra a emissora e contra o INPI, que tem sede no Rio.


O comediante é criador de diversos personagens, incluindo o Coxinha, usado por ele na TV Capital entre 2006 e 2009. O Coxinha é conhecido por "retratar um indivíduo que elogia um conhecido no momento em que conversa com ele, mas pelas costas o difama e calunia sem pudores, moral ou ética".


Em sua decisão, o relator do processo no TRF-2, o desembargador federal André Fontes, avaliou que está claro que o personagem é uma criação individual do humorista.


O magistrado citou diversos anúncios de shows anexados ao processo e concluiu: "Antes mesmo da exploração televisiva do personagem 'Coxinha', em programa humorístico da recorrente, o ora recorrido já realizava shows e apresentações, bem como o apresentava, juntamente com outros personagens que também foram por ele idealizados, em programa de rádio, pelo que é correto se concluir que, de fato, trata-se de criação exclusiva e não em coautoria".



Processo: 0803076-78.2010.4.02.5101

Quando o alfabeto não tem dono: marca portuguesa vence a Louis Vuitton em disputa por “LV”
Por Adriana Brunner 13 de maio de 2026
A recente derrota da Louis Vuitton em disputa contra a pequena marca portuguesa “Licores do Vale” traz uma discussão importante sobre os limites da exclusividade marcária.
Publicidade comparativa tem limite: iFood vence ação contra 99Food por concorrência desleal
Por Adriana Brunner 8 de maio de 2026
A recente decisão da Justiça de São Paulo envolvendo iFood e 99Food reacende um tema central no Direito da Concorrência: até onde uma empresa pode ir ao comparar seus serviços com os de um concorrente?
O custo social das patentes
Por Adriana Brunner 7 de maio de 2026
A queda da patente da semaglutida — base de medicamentos como Ozempic e Wegovy — reforça um debate central: o impacto real da extensão indevida de patentes no acesso à saúde.
Dermacyd x Floracyd: Onde termina o seu direito e começa a
Por Adriana Brunner 7 de maio de 2026
Você já reparou que quase todos os sabonetes íntimos usam embalagens brancas, curvas e detalhes em rosa ou lilás?
Indicação Geográfica no Vale do Ribeira: quando origem vira ativo estratégico
Por Adriana Brunner 5 de maio de 2026
A recente conquista da Indicação Geográfica (IG) pelo Vale do Ribeira para a produção de banana marca mais do que um reconhecimento regional — é um movimento estratégico de valorização econômica e competitiva.
Disputa de marca no setor elétrico: JMEV é obrigada a mudar nome após questionamento da Kia
Por Adriana Brunner 4 de maio de 2026
O caso envolvendo a JMEV e a Kia ilustra bem como a estratégia de marca pode impactar diretamente a operação de empresas — especialmente em mercados em expansão, como o de veículos elétricos no Brasil.
A promulgação do acordo Mercosul–União Europeia e seus impactos na competitividade e na propriedade
Por Adriana Brunner 30 de abril de 2026
Após quase três décadas de negociações, a promulgação do acordo entre Mercosul e União Europeia marca um ponto de inflexão relevante não apenas para o comércio internacional.
Copa fora de campo: quando marketing de guerrilha vira estratégia — e risco — para as marcas
Por Adriana Brunner 27 de abril de 2026
A Copa do Mundo FIFA sempre foi muito mais do que futebol. É, acima de tudo, uma arena de disputa entre marcas — inclusive aquelas que não têm o patrocínio oficial, mas dominam a atenção do público.
China ultrapassa 5 milhões de patentes — e mostra que propriedade intelectual é estratégia de poder
Por Adriana Brunner 24 de abril de 2026
A marca de 5 milhões de patentes de invenção válidas alcançada pela China não é apenas um número impressionante — é um indicativo claro de uma estratégia de Estado consistente, de longo prazo e orientada à liderança tecnológica global.
Ativos intangíveis em jogo: a marca como instrumento de execução
Por Adriana Brunner 13 de abril de 2026
Uma recente decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro reforça um ponto essencial — e muitas vezes subestimado — no universo jurídico: marca não é apenas um ativo de marketing, é patrimônio penhorável.
Mais Posts