Propriedade Intelectual e inovação: como elas se relacionam?

Adriana Brunner • 5 de fevereiro de 2024

A proteção da propriedade intelectual é um importante instrumento de fomento e estímulo à inovação. Entenda como propriedade intelectual e inovação se relacionam diretamente.

Toda inovação precisa ser estimulada e preservada. E o meio pelo qual uma inovação tecnológica tem sua garantia protegida é pela propriedade intelectual. Essa proteção tem como objetivo inicial identificar quem criou essa inovação, dando a ele o direito à sua autoria preservada, evitando que ela seja plagiada ou usada de maneira indevida.



É essa proteção da propriedade intelectual no Brasil que evita que a inovação seja usada de forma fraudulenta por plagiadores e pessoas com más intenções de tirar proveito daquilo que não criaram.

Propriedade intelectual e inovação: uma relação direta

A importância da propriedade intelectual para a inovação é gigantesca, especialmente depois do crescimento das startups no Brasil. Isso porque, com elas, a inovação tem se mostrado algo cada vez mais corriqueiro. E, por consequência, o mercado tem enxergado a necessidade e a importância de registrar a inovação como forma de garantir a propriedade intelectual.

Patentes refletem progresso tecnológico

Dentro do campo relacionado à Propriedade Intelectual, as inovações relacionadas às patentes têm um papel importante, por mostrar os passos do progresso tecnológico, já que demonstram o grau de criação e a disseminação de conhecimento na atividade de produção. Ou seja, elas refletem o dinamismo da produção de conhecimento, o que traz resultados positivos à sociedade.


A concessão de patentes protege a propriedade industrial e, consequentemente, impulsiona a inovação. A questão de se ter uma propriedade industrial protegida de fraudes e plágios é um instrumento de estímulo à criação, à inovação.


Brasil e Chile são os países que mais se destacam na América Latina no desenvolvimento de inovação, de acordo com relatórios internacionais que medem dados gerais e avaliam a competitividade dos países em termos de propostas inovadoras.



Desse modo, as patentes são um importante instrumento de geração de negócios e transferência de tecnologia. Quem cria algo inovador, não necessariamente conta com os melhores meios para produzir e vender. E é justamente a transferência de tecnologia que faz com que esses criadores sejam reconhecidos por suas criações.

Protocolo de Madri: avanços nos processos de Propriedade Intelectual e inovação

Em 2019, o Brasil aderiu ao Protocolo de Madri, um tratado internacional administrado pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) que possibilita o registro de marcas em 120 países.

 

Com essa adesão, o Brasil pode atuar como Administração de Origem e como Parte Contratante Designada, enviando e recebendo pedidos internacionais.


Na prática, isso significa que o Brasil pode, a partir do pedido de registro no INPI, solicitar registro simultâneo em qualquer um dos países que aderiram ao Protocolo, um avanço significativo à demora e custos altos dos processos internacionais. 



Nesse sentido, o próprio INPI tem apresentado maior rapidez na concessão de registros de marcas e patentes, uma reclamação antiga de quem solicitava o serviço.

Iniciativas que fortalecem a inovação por meio da Propriedade Intelectual

A importância dos direitos de Propriedade Intelectual pode ser observada de forma clara. Como por exemplo, durante o período da pandemia, quando a inovação fez toda a diferença ao permitir que o mundo funcionasse de uma maneira nunca antes vista.

 

As pessoas passaram a trabalhar de casa, as compras foram feitas remotamente, as reuniões, consultas médicas, tudo aconteceu no formato virtual. E com segurança! 


A pandemia mudou formas, conceitos e exigiu que esse formato digital fizesse parte da nossa vida e tudo isso só pôde acontecer graças a muita pesquisa e desenvolvimento de processos, tecnologias e inovação.


E para estimular e fortalecer a inovação por meio da Propriedade Intelectual são necessárias iniciativas de capacitação e fortalecimento de políticas, incentivos e suporte que incentivem a criação de tecnologias e sistemas de inovação.


Um exemplo foi a Iniciativa Regional de Patentes Tecnológicas promovida pelo CAF - Banco de Desenvolvimento da América Latina – que investiu no desenvolvimento de tecnologia em áreas estratégicas por meio da capacitação em geração de patentes. A ideia é gerar impacto nas exportações de tecnologia e em receitas geradas pela comercialização dessas tecnologias.



Como resultado, foram gerados mais de 1.100 conceitos de tecnologias com possibilidade de patenteamento e desenvolvido um curso de desenvolvimento acelerado de patentes, que foi disponibilizado ao público. 

São iniciativas desse tipo que fazem a diferença na disseminação de conhecimento e no fomento à inovação para tornar o Brasil um gerador de conhecimento.

Nominativa

Golpes envolvendo registro de marcas crescem junto com a busca por proteção no INPI
Por Adriana Brunner 25 de maio de 2026
O aumento no número de pedidos de registro de marcas no Brasil trouxe um efeito colateral preocupante: o crescimento de golpes envolvendo falsas comunicações sobre processos no INPI.
Patente que demora perde valor: o custo invisível do backlog do INPI para a inovação brasileira
Por Adriana Brunner 22 de maio de 2026
O caso do medicamento Vonau Flash expõe um dos maiores entraves estruturais da inovação no Brasil: a demora na análise de patentes.
Propriedade intelectual e saúde: proteger inovação também é proteger o futuro do acesso a tratamento
Por Adriana Brunner 21 de maio de 2026
Existe uma percepção recorrente de que propriedade intelectual e acesso à saúde caminham em lados opostos. Mas a discussão real é mais complexa.
Patentes: por que proteger a inovação se tornou essencial para a economia moderna
Por Adriana Brunner 20 de maio de 2026
Patentes existem há mais de 600 anos — e continuam no centro das disputas sobre inovação, tecnologia e desenvolvimento econômico.
30 anos da Lei de Propriedade Industrial: o Brasil entendeu o valor da inovação
Por Adriana Brunner 19 de maio de 2026
Quando a Lei nº 9.279 foi sancionada em 1996, o país deixava para trás um modelo fechado e pouco alinhado às regras internacionais de inovação. Três décadas depois, o cenário mudou
Couro de peixe e Indicação Geográfica: quando tradição, sustentabilidade e inovação geram valor
Por Adriana Brunner 18 de maio de 2026
A concessão de Indicação Geográfica ao couro de peixe produzido em Pontal do Paraná mostra como a propriedade intelectual pode atuar como ferramenta concreta de desenvolvimento regional.
Inovação não é ideia: é capacidade de transformar conhecimento em valor
Por Adriana Brunner 15 de maio de 2026
Os números de depósitos de patentes no Brasil revelam um paradoxo relevante: o país produz conhecimento técnico e científico em escala significativa...
Indicações Geográficas impulsionam exportações e fortalecem o turismo rural
Por Adriana Brunner 14 de maio de 2026
As Indicações Geográficas vêm deixando de ser apenas um selo de reconhecimento territorial para se consolidarem como verdadeiras ferramentas de desenvolvimento econômico.
Quando o alfabeto não tem dono: marca portuguesa vence a Louis Vuitton em disputa por “LV”
Por Adriana Brunner 13 de maio de 2026
A recente derrota da Louis Vuitton em disputa contra a pequena marca portuguesa “Licores do Vale” traz uma discussão importante sobre os limites da exclusividade marcária.
Publicidade comparativa tem limite: iFood vence ação contra 99Food por concorrência desleal
Por Adriana Brunner 8 de maio de 2026
A recente decisão da Justiça de São Paulo envolvendo iFood e 99Food reacende um tema central no Direito da Concorrência: até onde uma empresa pode ir ao comparar seus serviços com os de um concorrente?
Mais Posts