TJSP Condena Magalu por Uso Indevido de Marcas Concorrentes em Anúncios Online

Adriana Brunner • 25 de junho de 2024

A 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) condenou a Magazine Luiza S/A (Magalu) por utilizar as marcas Casas Bahia e Ponto Frio em links patrocinados no Google. A decisão, unânime, destacou que a prática configura concorrência desleal, uma vez que induz o consumidor a confundir as marcas.


Detalhes do Caso


A Via S/A, dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, alegou que a Magalu utilizava esses nomes em anúncios patrocinados, fazendo com que seu site aparecesse em destaque nas buscas por essas marcas. Isso teria causado prejuízos significativos à Via, especialmente em períodos de alta competitividade como a Black Friday.


Decisão Judicial


O relator do caso, desembargador Sérgio Seiji Shimura, afirmou que a Magalu se beneficiou de concorrência desleal. "Existe a possibilidade de o consumidor se confundir ou vincular uma marca à outra, como se fosse do mesmo grupo empresarial ou econômico, gerando prejuízo ao titular do registro ou da patente", declarou o desembargador.


A decisão ordenou que a Magalu cesse o uso das marcas da Via em seus links patrocinados, sob pena de multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 100 mil. Além disso, foi estabelecida uma indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil e danos materiais a serem apurados.


Implicações e Jurisprudência


O TJSP ressaltou que utilizar marcas de terceiros como palavras-chave para anúncios constitui um ato de concorrência desleal, conforme o Enunciado XVII do Grupo de Câmaras Reservadas de Direito Empresarial. Esta decisão pode servir como um precedente importante para casos semelhantes no mercado de varejo digital.


Processo


O processo tramita sob o número 1130874-18.2021.8.26.0100.


Essa decisão sublinha a importância de práticas de marketing éticas e a proteção dos direitos de propriedade intelectual no ambiente digital competitivo.


Fonte: JOTA

Golpes envolvendo registro de marcas crescem junto com a busca por proteção no INPI
Por Adriana Brunner 25 de maio de 2026
O aumento no número de pedidos de registro de marcas no Brasil trouxe um efeito colateral preocupante: o crescimento de golpes envolvendo falsas comunicações sobre processos no INPI.
Patente que demora perde valor: o custo invisível do backlog do INPI para a inovação brasileira
Por Adriana Brunner 22 de maio de 2026
O caso do medicamento Vonau Flash expõe um dos maiores entraves estruturais da inovação no Brasil: a demora na análise de patentes.
Propriedade intelectual e saúde: proteger inovação também é proteger o futuro do acesso a tratamento
Por Adriana Brunner 21 de maio de 2026
Existe uma percepção recorrente de que propriedade intelectual e acesso à saúde caminham em lados opostos. Mas a discussão real é mais complexa.
Patentes: por que proteger a inovação se tornou essencial para a economia moderna
Por Adriana Brunner 20 de maio de 2026
Patentes existem há mais de 600 anos — e continuam no centro das disputas sobre inovação, tecnologia e desenvolvimento econômico.
30 anos da Lei de Propriedade Industrial: o Brasil entendeu o valor da inovação
Por Adriana Brunner 19 de maio de 2026
Quando a Lei nº 9.279 foi sancionada em 1996, o país deixava para trás um modelo fechado e pouco alinhado às regras internacionais de inovação. Três décadas depois, o cenário mudou
Couro de peixe e Indicação Geográfica: quando tradição, sustentabilidade e inovação geram valor
Por Adriana Brunner 18 de maio de 2026
A concessão de Indicação Geográfica ao couro de peixe produzido em Pontal do Paraná mostra como a propriedade intelectual pode atuar como ferramenta concreta de desenvolvimento regional.
Inovação não é ideia: é capacidade de transformar conhecimento em valor
Por Adriana Brunner 15 de maio de 2026
Os números de depósitos de patentes no Brasil revelam um paradoxo relevante: o país produz conhecimento técnico e científico em escala significativa...
Indicações Geográficas impulsionam exportações e fortalecem o turismo rural
Por Adriana Brunner 14 de maio de 2026
As Indicações Geográficas vêm deixando de ser apenas um selo de reconhecimento territorial para se consolidarem como verdadeiras ferramentas de desenvolvimento econômico.
Quando o alfabeto não tem dono: marca portuguesa vence a Louis Vuitton em disputa por “LV”
Por Adriana Brunner 13 de maio de 2026
A recente derrota da Louis Vuitton em disputa contra a pequena marca portuguesa “Licores do Vale” traz uma discussão importante sobre os limites da exclusividade marcária.
Publicidade comparativa tem limite: iFood vence ação contra 99Food por concorrência desleal
Por Adriana Brunner 8 de maio de 2026
A recente decisão da Justiça de São Paulo envolvendo iFood e 99Food reacende um tema central no Direito da Concorrência: até onde uma empresa pode ir ao comparar seus serviços com os de um concorrente?
Mais Posts