Brasil avalia suspender patentes americanas como retaliação comercial – quais os riscos dessa medida?

Adriana Brunner • 21 de julho de 2025

O governo brasileiro estuda uma estratégia de retaliação aos EUA após a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros determinada pelo presidente Donald Trump. Uma das possibilidades em análise é a suspensão temporária de patentes americanas no Brasil, conforme autorizado pela Lei de Reciprocidade, regulamentada nesta semana.


O que significa?


A medida permitiria que empresas brasileiras (ou de outros países) produzam produtos patenteados por empresas dos EUA sem pagar royalties, atingindo principalmente os setores farmacêutico, tecnológico e biotecnológico, que concentram grande número de registros americanos no Brasil.


Base legal


O art. 71 da Lei de Propriedade Industrial (LPI) já prevê a possibilidade de quebra de patentes por interesse público, com autorização da OMC. Agora, a Lei de Reciprocidade regulamenta a suspensão de direitos de propriedade intelectual em situações de retaliação comercial a medidas unilaterais.


Especialistas alertam para os riscos


Apesar de ter respaldo legal, a medida pode gerar efeitos negativos profundos, como:


  • Insegurança jurídica para investidores estrangeiros;
  • Risco de retaliações cruzadas, prejudicando marcas brasileiras nos EUA (ex.: Embraer, Havaianas, farmacêuticas nacionais);
  • Impactos no agronegócio, especialmente no uso de sementes, defensivos e maquinários patenteados;
  • Desestímulo à inovação e às parcerias público-privadas no setor de saúde.


Exemplo histórico


O Brasil já utilizou mecanismo semelhante em 2007, com a quebra da patente do medicamento Efavirenz, usado no tratamento de HIV, para reduzir custos no SUS. À época, a decisão gerou forte reação da indústria farmacêutica internacional.


Possíveis desdobramentos


Segundo especialistas, a suspensão de patentes pode afetar a reputação internacional do Brasil e provocar isolamento diplomático, além de gerar impactos econômicos duradouros. 


Há alternativas?


Alguns juristas sugerem tarifas sobre royalties ou pagamentos tecnológicos como medida menos arriscada. Outros defendem intensificar a via diplomática, já que uma escalada de retaliações pode atingir setores estratégicos da economia brasileira.


Fonte: Bol

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