Brasil chega a 150 Indicações Geográficas: o amadurecimento de um ativo estratégico

Adriana Brunner • 7 de janeiro de 2026

O encerramento de 2025 com 150 Indicações Geográficas (IGs nacionais reconhecidas) pelo INPI não é apenas um dado estatístico — é a consolidação de um modelo de desenvolvimento que transforma origem, tradição e saber-fazer em valor econômico protegido.


A inclusão das novas Indicações de Procedência de Areia (PB) e Orizona (GO), ambas ligadas à cachaça, evidencia um movimento claro: produtos historicamente associados ao mercado interno passam a ocupar uma posição estratégica, com diferenciação jurídica, reputacional e comercial.


IG como instrumento de competitividade


O crescimento do sistema brasileiro de IGs demonstra que o país avança além da lógica da commodity. Ao proteger territórios e métodos produtivos, a IG:


• agrega valor ao produto;

• fortalece marcas coletivas regionais;

• reduz assimetrias competitivas;

• cria barreiras legítimas contra usos indevidos da reputação local.


No caso da cachaça, o reconhecimento das IGs dialoga diretamente com o Decreto nº 4.062/2021, que reservou ao Brasil o uso das expressões “cachaça”, “Brasil” e “cachaça do Brasil”. Trata-se de uma estratégia de proteção internacional da identidade do produto, com impactos diretos sobre exportação, turismo e posicionamento premium.


Números que confirmam o impacto


Os dados do Anuário da Cachaça 2025 (MAPA) reforçam esse cenário: crescimento contínuo no número de cachaçarias registradas e um salto expressivo de produtos homologados. A IG, nesse contexto, deixa de ser apenas um selo e passa a atuar como fator de organização econômica do setor.


O mesmo raciocínio se aplica ao café, líder em número de IGs no país. A cafeicultura brasileira mostra que origem controlada e reputação protegida permitem competir por qualidade, e não apenas por volume.


Mais que proteção: política pública de desenvolvimento


Ao alcançar 161 IGs no total (incluindo estrangeiras), o Brasil se alinha a uma agenda que conecta propriedade intelectual, desenvolvimento regional, sustentabilidade e preservação cultural — pilares frequentemente apoiados por instituições como o Sebrae.


A mensagem é clara: Indicação Geográfica não é só proteção jurídica; é estratégia de mercado, política territorial e construção de valor de longo prazo. O avanço numérico revela um sistema que amadurece — e que ainda tem grande potencial de expansão no país.


Fonte: folha vitória

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