Brasil chega a 150 Indicações Geográficas: o amadurecimento de um ativo estratégico
O encerramento de 2025 com 150 Indicações Geográficas (IGs nacionais reconhecidas) pelo INPI não é apenas um dado estatístico — é a consolidação de um modelo de desenvolvimento que transforma origem, tradição e saber-fazer em valor econômico protegido.
A inclusão das novas Indicações de Procedência de Areia (PB) e Orizona (GO), ambas ligadas à cachaça, evidencia um movimento claro: produtos historicamente associados ao mercado interno passam a ocupar uma posição estratégica, com diferenciação jurídica, reputacional e comercial.
IG como instrumento de competitividade
O crescimento do sistema brasileiro de IGs demonstra que o país avança além da lógica da commodity. Ao proteger territórios e métodos produtivos, a IG:
• agrega valor ao produto;
• fortalece marcas coletivas regionais;
• reduz assimetrias competitivas;
• cria barreiras legítimas contra usos indevidos da reputação local.
No caso da cachaça, o reconhecimento das IGs dialoga diretamente com o Decreto nº 4.062/2021, que reservou ao Brasil o uso das expressões “cachaça”, “Brasil” e “cachaça do Brasil”. Trata-se de uma estratégia de proteção internacional da identidade do produto, com impactos diretos sobre exportação, turismo e posicionamento premium.
Números que confirmam o impacto
Os dados do Anuário da Cachaça 2025 (MAPA) reforçam esse cenário: crescimento contínuo no número de cachaçarias registradas e um salto expressivo de produtos homologados. A IG, nesse contexto, deixa de ser apenas um selo e passa a atuar como fator de organização econômica do setor.
O mesmo raciocínio se aplica ao café, líder em número de IGs no país. A cafeicultura brasileira mostra que origem controlada e reputação protegida permitem competir por qualidade, e não apenas por volume.
Mais que proteção: política pública de desenvolvimento
Ao alcançar 161 IGs no total (incluindo estrangeiras), o Brasil se alinha a uma agenda que conecta propriedade intelectual, desenvolvimento regional, sustentabilidade e preservação cultural — pilares frequentemente apoiados por instituições como o Sebrae.
A mensagem é clara: Indicação Geográfica não é só proteção jurídica; é estratégia de mercado, política territorial e construção de valor de longo prazo. O avanço numérico revela um sistema que amadurece — e que ainda tem grande potencial de expansão no país.
Fonte:
folha vitória












