TJ-SP nega monopólio ao Coco Bambu sobre o “camarão internacional”

Adriana Brunner • 6 de novembro de 2025

A recente decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) trouxe um importante precedente para o setor gastronômico e para o direito marcário: o sucesso comercial de um prato não confere exclusividade sobre expressões genéricas. No caso, a rede Coco Bambu buscava impedir que o restaurante Recanto do Fábio, localizado em Itapema (SC), continuasse a oferecer em seu cardápio o prato “camarão internacional”, alegando violação de marca e concorrência desleal.


O TJ-SP, porém, rejeitou os pedidos da rede, afirmando que não há risco de confusão entre os estabelecimentos e que a expressão “camarão internacional” possui baixo grau de distintividade, sendo amplamente utilizada e conhecida no Brasil. De acordo com o relator, desembargador Sérgio Shimimura, o termo designa um prato de receita popular, sem exclusividade sobre preparo, apresentação ou ingredientes — elementos que não se enquadram como propriedade intelectual protegida.


A decisão destacou ainda que não houve comprovação de imitação do trade dress ou de aproveitamento parasitário, reforçando que a livre concorrência deve prevalecer sempre que não há confusão direta no mercado. Mesmo com o registro da marca “Camarão Internacional” junto ao INPI, o Tribunal entendeu que nomes genéricos e descritivos não podem ser apropriados com exclusividade, sobretudo quando identificam produtos ou receitas amplamente conhecidas.


Em síntese:


O julgamento reforça que a proteção marcária exige criatividade e distintividade real. No universo da gastronomia, como em qualquer outro setor, o verdadeiro diferencial não está apenas em um nome de sucesso, mas na capacidade de construir uma identidade original e inconfundível — ingrediente essencial para transformar uma criação culinária em uma marca de valor.


Fonte: Diário do Nordeste

Dez novas canetas depois, a guerra do Ozempic está só começando no Brasil
Por Adriana Brunner 2 de setembro de 2026
Fim da patente da semaglutida gera corrida no mercado farmacêutico brasileiro. Entenda o papel das marcas nessa nova disputa competitiva.
A QUEDA DA PATENTE DO OZEMPIC ACELERA A CORRIDA DAS CANETAS NO BRASIL
Por Adriana Brunner 1 de setembro de 2026
Com a queda da patente do Ozempic, 12 alternativas já foram aprovadas pela Anvisa. Entenda o impacto da expiração de patentes no mercado farmacêutico brasileiro.
“Natal Luz”: quando a proteção da marca alcança até eventos públicos
Por Adriana Brunner 31 de agosto de 2026
Justiça proíbe prefeitura baiana de usar nome "Natal Luz" por violação de marca registrada. Entenda o caso e seus impactos jurídicos.
Brasil e Coreia do Sul ampliam cooperação em propriedade intelectual
Por Adriana Brunner 28 de agosto de 2026
Brasil e Coreia do Sul aproximam laços em propriedade intelectual. Entenda por que marcas e patentes ganham papel estratégico nesse cenário.
Patentes revelam que a indústria automotiva ainda não escolheu uma única rota para o futuro
Por Adriana Brunner 27 de agosto de 2026
Levantamento de patentes revela disputa entre montadoras por diferentes tecnologias de propulsão. Entenda o que isso significa para o setor.
DA AUSÊNCIA DE PATENTES À LIDERANÇA TECNOLÓGICA: O QUE A CHINA ENSINA SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL
Por Adriana Brunner 26 de agosto de 2026
Como a China se tornou líder mundial em patentes em 40 anos e o que isso ensina sobre inovação e propriedade intelectual.
Por que farmacêuticas do Paraguai podem produzir “cópias” do Mounjaro legalmente
Por Adriana Brunner 25 de agosto de 2026
Entenda por que farmacêuticas do Paraguai podem produzir versões do Mounjaro legalmente, mas não vendê-las no Brasil. Saiba mais.
EXPRESSÃO POPULAR EM EVENTO NÃO VIOLA PROPRIEDADE INDUSTRIAL
Por Adriana Brunner 24 de agosto de 2026
TJ-SP autoriza uso de "Tardizinha Gospel" apesar de registro da marca "Tardezinha". Entenda a decisão e seus impactos jurídicos.
Direitos autorais: crédito ao autor não é opcional
Por Adriana Brunner 19 de agosto de 2026
MC Ryan SP e GR6 são condenados por não creditar compositor em 34 músicas. Entenda a decisão e seus impactos para o mercado musical.
Mais uma Indicação Geográfica fortalece o agro brasileiro!
Por Adriana Brunner 12 de agosto de 2026
Circuito das Águas Paulista conquista Indicação Geográfica para cachaça de alambique, concedida pelo INPI. Saiba mais sobre essa conquista.
Mais Posts